Você sabe o que é Anamnese Ocupacional?

A avaliação feita pelo médico do trabalho precisa ser bem completa. Assim, o profissional consegue identificar os possíveis problemas de saúde que podem acometer o empregado como consequência das suas atividades laborais. É por isso que cada detalhe precisa ser cuidadosamente avaliado e esse procedimento começa na anamnese.

De uma forma simples, podemos dizer que a anamnese é um conjunto de perguntas, que serão feitas pelos médicos. Elas ajudarão o profissional a conhecer o histórico do paciente. Bem como a identificar possíveis riscos que ele corre em sua profissão e que podem afetar a sua saúde.

Por isso, cabe ao médico realizar uma anamnese detalhada e ao paciente fornecer todas as informações possíveis para que a sua avaliação possa ser bem realizada.

Saiba mais sobre anamnese na medicina do trabalho e suas aplicações.

A anamnese e a medicina no trabalho

Todo profissional precisa do máximo possível de informações para realizar o seu trabalho. O mesmo acontece, especialmente, com os médicos. É por isso que o processo de anamnese é tão importante. Na medicina do trabalho, essas informações ajudam a garantir que a empresa conheça melhor a saúde de seus colaboradores.

De modo geral, a anamnese é a primeira etapa de qualquer exame clínico. É a forma mais rápida do profissional de saúde conseguir as informações sobre o seu paciente.

Nessa primeira conversa, é determinado o assunto da visita, o histórico de queixas, além de um histórico geral da saúde do paciente, que leva o médico a ter uma noção mais clara de para onde a consulta, e um possível tratamento, irão caminhar.

Determinar o histórico de remédios que o paciente consome e suas alergias, também é fundamental para trazer mais segurança para o tratamento, protegendo ambos de eventuais problemas.

Além desse aspecto prático e clínico, a conversa ainda tem o objetivo de aproximar paciente e médico. O paciente fica mais seguro e tranquilo, fortalecendo a confiança no profissional. Isso é sempre positivo e permite um tratamento melhor.

A anamnese tem um impacto também na medicina do trabalho.

Na anamnese ocupacional a ideia é a mesma. O médico faz uma série de perguntas relacionadas, por exemplo, ao histórico do paciente e suas alergias.

Porém, o propósito desta entrevista é levemente diferente. O médico procura entender se o entrevistado será capaz de realizar as atividades propostas e se as condições de trabalho podem afetar, ou agravar, algum problema que ele já tenha previamente.

Essa conversa se dá durante os principais exames ocupacionais: o admissional, o periódico, o de retorno ao trabalho, o de mudança de função e o demissional.

Como é feita a anamnese?

O processo de anamnese, seja a ocupacional ou a mais geral, é parecido. Porém não é tão simples quanto uma série de perguntas e respostas. Isso é apenas parte do processo.

Observar a linguagem não verbal é fundamental para conseguir alguma informação que o paciente não consegue, ou não quer, transmitir inteiramente ao médico.

Por fim, a entrevista é uma conversa e o diagnóstico deve ser discutido com o paciente. É preciso que ele entenda por que tal diagnóstico existe e o que deve ser feito para corrigir o problema ou evitar que ele se repita.

No caso ocupacional, as instruções devem ser claras para que tanto a empresa quanto o empregado estejam cientes de suas obrigações, direitos e riscos. Para as empresas, ter essas informações sobre seus colaboradores é essencial para garantir um local de trabalho bom para todos.

A importância da anamnese ocupacional

Por mais que o paciente fale qual é a sua profissão, apenas saber o nome do cargo não dá uma noção real das atividades diárias. É preciso ter acesso a detalhes do dia a dia, para poder identificar possíveis atividades que possam resultar em lesões ou doenças ocupacionais. Além disso, a rotina de trabalho também pode agravar doenças pré-existentes.

Por isso, a pergunta sobre a ocupação do paciente não pode ser superficial. É necessário fazer uma investigação completa, durante a anamnese, para realmente conhecer as atividades realizadas pelo paciente.

Isso ajuda tanto no diagnóstico, quanto na orientação dos exames complementares que venham a ser solicitados. Sem contar que, em alguns casos, para que a pessoa seja tratada ela deverá deixar de realizar algumas atividades, visando sempre a recuperação do paciente trabalhador.

Outros fatores que devem ser levados em conta

Além da atividade exercida pelo trabalhador, é preciso ficar atento a outros fatores de risco que envolvem a situação laboral. Também podem ser descobertas, durante a anamnese, situações como:

  • Excesso de calor;
  • Ruído;
  • Contato com agentes físicos;
  • Contato com agentes químicos;
  • Organização do trabalho;
  • Excesso de horas extras;
  • Ausência de pausas durante o expediente, entre outros.

Todos esses pontos devem ser levados em conta durante a avaliação, pois podem resultar em doenças físicas e emocionais para o trabalhador.

Se a pessoa atua em um local improvisado para o desempenho da função, por exemplo, provavelmente ela não terá as condições necessárias para exercer a atividade de forma correta. Vamos supor, por exemplo, que um galpão qualquer tenha sido improvisado para a fabricação de sapatos.

O local, com pouca ventilação, leva a uma alta concentração de odores fortes, sem contar o barulho constante. Isso pode levar a diversas doenças ocupacionais, como as auditivas ou respiratórias, por exemplo. Se a anamnese for feita com cuidado, o médico terá acesso a esses dados.

Fatores psicossociais também merecem atenção

Não são raros os afastamentos do trabalho por doenças psíquicas, como a depressão, por exemplo. Por isso, é preciso que o médico, durante a anamnese, também investigue os risco psicossociais relacionados à instituição na qual o paciente trabalha.

Trabalho monótono, muitas horas extras e falta de descanso podem desencadear ou agravar transtornos mentais no trabalho. Depressão, transtorno de humor, dentre outras doenças acabam sendo frequentes, quando a relação da empresa com o trabalhador não é saudável.

Fatores ergonômicos

Para realizar uma anamnese bem completa, é necessário também perguntar sobre a ergonomia. É nessa primeira conversa que o médico consegue descobrir, por exemplo, se a pessoa tem uma mesa e cadeira adequadas para exercer a sua atividade laboral. Afinal, doenças como os DORT estão entre as principais causas de afastamento do trabalho.

A realização de movimentos repetitivos, atuação em máquinas automatizadas com muita velocidade de movimentos ou o levantamento de excessos de carga podem ser citados como fatores desencadeantes.

Quando na anamnese o médico do trabalho identifica algo assim, ele pode orientar o colaborador a realizar, por exemplo, uma ginástica laboral, para minimizar os danos ou evitar lesões.

Equipamentos de proteção individual e coletivo

O acesso a equipamento de proteção individual (EPI) e equipamentos de proteção coletiva (EPC) são garantidos por lei. Contudo, nem sempre os trabalhadores têm acesso a isso ou, em muitos casos, até recebem o EPI, mas não o usam corretamente.

Durante a anamnese, é possível conversar com o paciente sobre isso. Descobrir se ele tem acesso aos equipamentos ideais e se ele está usando da forma correta. É uma ótima oportunidade para orientá-lo!

Vale lembrar que, muitas vezes, devido ao calor, os pacientes acabam não usando botas de proteção, perneiras, entre outros. Alguns deles acreditam que tal equipamento seja desnecessário. Por falta de conhecimento, acabam colocando a vida e a saúde em risco. Tudo isso pode ser, cuidadosamente, descoberto durante a anamnese, para que o médico o incentive a usar e possa explicar a importância tanto para o tratamento, quanto para evitar novas lesões.

A anamnese é essencial em qualquer área da medicina. Contudo, quando falamos em medicina do trabalho, ela deve ser ainda mais completa. Afinal, cada detalhe da atividade laboral pode ser importante para tratar e evitar problemas de saúde.

Como realizar uma boa anamnese?

Com tudo o que foi dito acima, não há dúvidas de que o médico, tanto geral quanto laboral, precisa realizar uma boa anamnese. Isso porque ela é a base de um diagnóstico mais preciso.

Quando o médico sabe fazer uma boa anamnese, muitos dos seus dilemas quanto ao estado de saúde do paciente podem ser resolvidos, pois eles acabam respondendo a tudo o que for perguntado. Basta que o profissional saiba compreender e ouvir o que ele está dizendo.

Além da própria entrevista com o paciente em si, a anamnese pode ser considerada um grande registro de dados que irão orientar o médico no diagnóstico e no exame físico dos pacientes.

Ela é dividida em etapas que buscam padronizar, organizar e tornar o registro de informações mais claro para outros profissionais de saúde que precisem lê-lo posteriormente.

As etapas da anamnese têm seus objetivos e seguem uma sequência. As partes são:

  • Identificação;
  • Queixa Principal (QP);
  • História da Doença Atual (HDA);
  • História Patológica Pregressa (HPP);
  • História Fisiológica;
  • Histórico Familiar;
  • Histórico Social.

Confira os detalhes de cada etapa:

  1. Identificação: é o momento inicial no qual o médico identifica o paciente, perguntando seu nome, data de nascimento, sexo, naturalidade, endereço, estado civil, profissão, escolaridade, etc.
  2. Queixa Principal (QP): é a fase em que o médico questiona o paciente sobre o que o levou até ali. No caso da anamnese laboral é mais fácil identificar, pois a consulta está sendo feita por causa de exames admissionais, de mudança de função, demissionais, etc. Em consultas normais, nesta etapa o médico descobre o motivo principal do paciente ter procurado seu consultório. A QP não deve ser anotada com termos técnicos, mas da maneira com que o paciente a explicou, usando suas palavras.
  3. História da Doença Atual (HDA): essa é a parte mais importante da anamnese. Nela, o médico descreve a doença do paciente, usando termos mais técnicos. Ela precisa ser descrita cronologicamente. Quanto mais o médico caracterizar a doença, melhor. Deve incluir até mesmo o que o paciente faz para que a dor melhore ou o que a faz piorar. Ao final dessa etapa, é necessário descrever como o paciente se sente no momento da anamnese.
  4. História Patológica Pregressa (HPP): nesta parte o médico precisa dar atenção a informações importantes sobre o passado ou dados presentes que foram descobertos anteriormente. É importante questionar quais doenças de infância o paciente teve, por exemplo. Também se pergunta se ele foi vacinado e se está com as vacinas em dia. Se passou por alguma transfusão de sangue e cirurgias, doenças crônicas, se tem alguma alergia (principalmente medicamentosa) ou se já sofreu alguma fratura, quais medicamentos toma, entre outras questões. Nessa etapa é preciso até registrar as doenças que o médico perguntou e o paciente negou ter.
  5. História Fisiológica: nesta fase, o médico pode perguntar se o paciente nasceu de parto normal ou cesárea e se foi hospitalar ou domiciliar; e como foi desenvolvido o seu crescimento. No caso das mulheres, o médico pode perguntar quando foi sua primeira menstruação, como ela é, se já tem filhos e se sofreu abortos.
  6. Histórico Familiar: esta fase é importante porque muitas doenças possuem carga genética associada, como diabetes ou problemas cardíacos. Ou seja, elas são hereditárias. Por isso é tão importante buscar informações sobre doenças dos familiares mais próximos dos pacientes, como pai, mãe, avós paternos e maternos, irmãos e filhos.
  7. Histórico Social: nesta fase o paciente é questionado se costuma beber ou fumar e com qual frequência faz uso da bebida e do fumo. Também é perguntado sobre sua alimentação; ingestão de água; seu tipo de moradia; se há saneamento básico no local; quantas pessoas residem em sua casa; se há animais domésticos e se eles são vacinados; se realizou alguma viagem recente, entre outros dados sociais.

Após essas fases é preciso ainda realizar a revisão dos sistemas do paciente. Em primeiro lugar, o médico deve perguntar sobre como está o funcionamento geral, intelectual e neurológico do paciente. “Como anda a sua cabeça” ou se está dormindo bem são algumas perguntas importantes. O médico deve questionar se o paciente anda esquecido, como está o seu humor e se está desanimado.

Em um segundo momento, deve analisar a audição e a visão do paciente. Além do seu sistema digestivo (o paciente está comendo bem? Está emagrecendo? Tem náuseas? Etc.). Também deve questionar sobre o sistema cardio-respiratório para saber se há falta de ar, cansaço ou tosse. O sistema urinário, a força muscular e a atividade sexual também devem ser analisados pelo médico durante a anamnese.

Tudo isso parece muita coisa ou até mesmo um exagero para os leigos. No entanto, todos esses pontos são de grande importância para manter o histórico do paciente atualizado e para prevenir e tratar algum tipo de doença.

O que foi dito acima também é válido para a medicina do trabalho. Embora ela e a medicina geral pareçam desconectadas, ou até mesmo diferentes entre si, isso não é verdade. Afinal, muitas doenças podem se iniciar por conta do ambiente de trabalho ou das funções exercidas por um trabalhador. Sendo assim, a medicina laboral e a geral se unem para diagnosticar e tratar dos males desse paciente.

Por isso, é muito importante que o paciente faça consultas e exames de rotina e obedeça à solicitação de suas empresas de procurar um médico do trabalho para fazer exames. Isso pode ser fundamental para a cura ou descobrimento de algum mal.

Anamnese na melhoria da gestão médica

Além de todos os benefícios já citados, tanto para o profissional como para o paciente, a anamnese também tem um papel de grande importância na melhoria da gestão médica. Ela garante uma maior produtividade dos médicos e, nos casos de clínicas ou empresas de saúde ocupacional, isso resulta em maior rentabilidade, afinal de contas, ao conseguir realizar uma anamnese de forma rápida e ágil, é possível atender mais pessoas ao longo do dia.

Isso pode se tornar mais prático, principalmente com o uso de um software integrado de gestão ocupacional, a exemplo do EOL (Sistema Engemed Online), por proporcionar uma melhor gestão, indicadores de qualidade de vida para a equipe e agilidade operacional na prestação de serviços.

Como? Pelo fato de o software ser 100% online, o que permite atualização de SST de qualquer lugar; usuários ilimitados sem custo extra; eliminação de gastos com módulos adicionais; facilidade de integração de dados com outros sistemas; atualizações periódicas e automáticas; e contato direto com parceiros credenciados.

Dessa maneira, pode-se ainda personalizar o documento de modo a obter as informações necessárias e objetivas para a área, possibilitando ainda a geração de relatórios precisos. Tudo isso contribui para a melhoria da gestão médica.

Como aplicar a anamnese de forma personalizada

Conforme citado no tópico anterior, ao apostar em uma tecnologia de saúde ocupacional que proporcionará uma série de benefícios, pode-se customizá-la a depender da demanda da instituição ou do profissional, estrutura essa que pode ser modificada quantas vezes forem necessárias.

Nos casos de empresas SESMT, por exemplo, pode-se ter à disposição uma solução eSocial elaborada de acordo com a versão mais recente, bem como gerar evidências para contestação de FAP e administração dos afastados, além de ter a garantia de seguir as melhores práticas de segurança na web do mercado e com parceiros qualificados em todo o país.

O mesmo vale para os prestadores de serviço, que contarão com sala de atendimento com painel e senhas, e agilidade no preenchimento de informações. Isso otimiza a rotina da equipe, armazenamento e realização da gestão de audiometria de forma rápida e simples, centralização de dados de atendimentos, fichas, exames e registro em tempo real das informações e dos resultados de exames específicos.

Esperamos que este artigo tenha esclarecido suas dúvidas quanto a importância da anamnese em geral e na aplicação da medicina do trabalho e como a tecnologia pode ser usada de modo a otimizar essas tarefas e possibilitar uma série benefícios.

Buscar alternativas que sejam mais rentáveis e produtivas para empresas e profissionais é um importante diferencial em qualquer área, inclusive na medicina ocupacional.

 

Fonte: SOC

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